Arquitetura entre Arte e Lógica
Um programador que encontrou no código uma forma de arte não técnica, um ofício onde a forma e a função não competem, mas se exigem mutuamente.

Não busco a elevação mística nem a aprovação dos céus. Minha vida não é uma ópera sacra; é um cântico de Goliardo, aquele monge que, depois de compreender o silêncio de Deus, decidiu cantar à taberna, à carne e ao destino caprichoso. Sou a percussão de O Fortuna: rítmico, terreno, às vezes áspero e sempre inexorável.
Não persigo a “virtude” como uma medalha, mas me movo sob o rigor de uma ética própria. Sou o exilado que aos 17 anos perdeu um teto, mas encontrou o mundo. Sem salas de aula que me validassem, transformei a curiosidade em meu único lar, aprendendo que a língua —seja inglês, português ou italiano— não é um título, mas uma ponte para o outro.
Sem Máscaras: Arquitetura da Sobrevivência
Durante anos, aprendi a sustentar o olhar quando meus circuitos internos pediam para fugir. Fui diagnosticado com a confusão de quem não compreende o autismo ou o TDAH, e em resposta, aprendi a me adaptar, a navegar o social sem deixar de ser quem sou.
Não há máscara perfeita, porque nunca deixei de estar ali.
Um programador que encontrou no código uma forma de arte não técnica, um ofício onde a forma e a função não competem, mas se exigem mutuamente. Porque a verdadeira maestria não está em escolher entre ambas, mas em torná-las inseparáveis.
Sou aquele menino a quem negaram a arte e que, por um chilique adolescente, quase rejeitou a lógica, só para terminar abraçando ambas numa amálgama de cinismo e empatia.
“Sou aquele que encontra paz na filosofia porque é o único lugar onde as perguntas importam mais que as respostas.”
O Legado do Dióxido de Carbono
Minha marca não será um monumento de pedra, mas a sutil alteração do ar que respiro. Cada grama de CO2 que exalo é a prova de que consumi a vida com voracidade. Ao morrer, me reintegrarei à terra sem resistência, mas deixarei atrás de mim um rastro invisível:
A admiração profunda pela mulher que é minha melhor amiga, minha esposa e meu refúgio.
O olhar do espectador que observa, com o coração na mão e silêncio estoico, o crescimento de um filho.
A força e a ternura de quem sabe que cada dia é, simultaneamente, o mais feliz e o último.
Sentença Final
Sou um ser temporal. Sou autodidata por necessidade e filósofo por escolha. Não sou convencional, nem pretendo sê-lo. Hoje, aos meus 36 anos, celebro que a sorte tenha me permitido apaixonar-me pela realidade tal como é: crua, bela e finita.
Existo. E isso, por ora, é mais que suficiente.